GCLIO
domingo, 4 de julho de 2010
domingo, 2 de maio de 2010
Uma reflexão política e histórica do Prof Adeildo Oliveira.
Em momentos de grandes transformações de ordem social e (ou) política os símbolos passam a exercer um papel de relevo na legitimação ou contestação da ordem estabelecida. Alguns destes símbolos surgem de forma espontânea, outros são construídos. Neste sentido, o 21 de abril exemplifica muito bem o que é a construção de um símbolo. Com a realização do golpe de 15 de novembro de 1889 pelos militares com o apoio da burguesia cafeeira de São Paulo, sedenta de poder, instala-se uma nova forma de governo que seguia velhos padrões de discriminação social e cultural.
Com isso, fica claro que o maior interessado na implantação da Res publica (coisa pública), ou seja: o povo, não participou do processo e isso, segundo José Murilo de Carvalho, não porque tenha “assistido bestializado”, mas porque sabia que a sua situação não iria mudar. Por isso mesmo, foi necessário a construção de um símbolo para legitimar o novo sistema político e esse símbolo foi Tiradentes. O 21 de abril de 1892 foi o dia da morte desse “mártir” da causa republicana no Brasil. Mas a História é extremamente dialética e iria reafirmar, posteriormente, a “mística” dos 21 de abril no Brasil, quando da inauguração de Brasília nesse mesmo dia e mês do ano de 1960.
Analisando algumas matérias da “grande” mídia brasileira, pude perceber que várias reportagens dedicavam-se a homenagear a nossa ilustre capital. Isso me inquietou, pois tais reportagens eram de uma “ingenuidade” política e histórica intrigante, pois mostravam a música dos anos oitenta na cidade; mostrava a cidade como reduto da corrupção e focavam as diversas festividades que estavam acontecendo para a comemoração dos cinquenta anos da capital. Não estou negando que a geração do Rock brasileiro dos anos oitenta tenha se destacado no cenário nacional com letras que criticavam a própria política que reinava e reina na cidade e no país; e nem que tal geração teve em Brasília um de seus núcleos maiores com Legião Urbana e Capital Inicial, por exemplo. Não nego que a capital tupiniquim é símbolo do que há de pior na política brasílica.
O que me inquietou foi a omissão em relação a uma série de aspectos históricos, culturais e sociais. Fatos estes que, claro, não devemos esperar que uma Globo viesse nos esclarecer sobre tais aspectos, mas que, por isso mesmo, faz-se necessário a explanação desses fatos através desta reflexão.
Primeiro falo sobre os “candangos”: milhares de nordestinos que laboraram para a efetivação de uma “obsessão” bem antiga que resultou em Brasília. Não vi nenhuma reportagem parabenizando ou agradecendo a participação SINE QUA NON desses guerreiros na construção da capital. Participação marcada por uma realidade que é bem conhecida pela maior parte dos nossos compatriotas, ou seja, uma realidade marcada pela exploração do trabalho com o pagamento de péssimos salários e com horríveis condições de vida.
O segundo aspecto relevante foi a omissão da longa história de Brasília. Enganam-se aqueles que acreditam que a capital tupiniquim possuí apenas metade de um século. Brasília não é apenas uma cidade, é muito mais do que isso. Brasília é a materialização de idéias, sonhos e interesses políticos e culturais. Enfim, Brasília é um símbolo. E como tal, só poderia ter emergido do plano das ideias em um determinado momento histórico.
Esclareço o porquê de ter me utilizado da palavra “obsessão” para designar Brasília. Para quem é um bom conhecedor da história nacional, saberá que a proposta de uma capital no “coração” do Brasil existe desde os tempos da colonização; foi lembrada por Bonifácio em suas Lembranças e Apontamentos enviada às Cortes portuguesas no contexto da independência; foi prevista nas Constituições de 1891, 1934 e 1946 até chegar à sua maturidade nos anos JK.
Acredito que Brasília foi efetivada por JK por causa do momento político, econômico e cultural do país. Nos processos históricos determinados acontecimentos só se materializam quando chegam à sua maturidade. No caso de Brasília tal maturidade chegou com os anos cinquenta do século XX. Naquele momento o país vivia um contexto histórico ímpar com o forte otimismo propagandeado pelo desenvolvimentismo, com o advento da TV, com a Bossa Nova, com o Cinema Novo. Tal clima colaborou para a construção da nova capital. Mas quem iria realizar o planejamento dessa nova cidade? No concurso realizado pela Novacap (Cia Urbanizadora da Nova Capital) saíram vitoriosos os adeptos dos ideais modernistas Niemeyer e Lúcio Costa.
Assim sendo, percebam que Brasília simboliza também os ideais modernistas que estão presentes no seu corpo material e abstrato de urbe planejada para vender a idéia do crescimento, da modernização e da integração nacional. Aqui vale frisar que, planejamento em sua construção é algo que também diferencia Brasília da maior parte das cidades brasileiras, pois somente ela e algumas poucas cidades como Belo Horizonte e Goiânia tiveram tal privilégio.
Portanto, reafirmo que Brasília é muito mais que uma cidade...
terça-feira, 13 de abril de 2010
Dilma e o Terrotismo. Contribuição do Prof. Ms. Airton de Farias.
Fabio Campo ressalta na coluna de O Povo o discurso de que Dilma era uma “terrorista, antidemocrática e que pretendia implantar uma ditadura comunista no Brasil”. Caro Fábio, nos anos 1960 e 70, ninguém estava muito preocupado com democracia, nem as esquerdas, nem as direitas, e nem a sociedade, em virtude da radicalização do jogo político e da Guerra Fria (tanto que os Estados Unidos e a União Soviética apoiaram regimes os mais nefastos). O que movia o sonho das pessoas naquele contexto era o da revolução e de como resolver os graves problemas sociais do mundo – uma prova é que no Brasil os militares chamaram o Golpe de 64 de “revolução”. Na conjuntura política dos anos 60 (marcada pela lutas antiimperialistas na África e Ásia, a exemplo da Guerra do Vietnã e da Independência da Argélia, processos violentíssimos, e pelo impacto da Revolução Cubana de 1959), a luta armada fazia parte das opções políticas existentes. Exemplo disso é Nélson Mandela, que defendia a luta armada e realizou até treinamento militar de guerrilha, episódio que a mídia hoje curiosamente esquece, pois interessa ressaltar o líder negro pacifista. Ora, Mandela mudou de posição. Muitas das pessoas (de esquerda), que pegaram em armas mudaram de posição, sobretudo no final dos anos 1970, quando em nova conjuntura, passou-se a valorizar a democracia como conhecemos hoje.
História é conjuntura. Fazer análises das pessoas sem levar em conta o contexto em que elas viveram é desonestidade intelectual ou tremenda falta de conhecimentos. As pessoas que chamam Dilma de “terroristas” esquecem, por exemplo, que boa parte do empresariado brasileiro, e cearense, contribuíram com a Operação Bandeirante, que formou um grupo paramilitar o qual surrava, prendia e eliminava os opositores, fossem guerrilheiros ou não. È esquecer que a imprensa apoiava, justificava e se auto-censurava pelo que estava acontecendo no Brasil. Foi o caso do jornal O Povo, que apresentava grandes relações com o ex-coronel e governador Cearense Virgilio Távora e com a Ditadura Militar, como se pode ver no anexo, um editorial do jornal de 11 de novembro de 1970 e uma propaganda de 4 de novembro do mesmo ano, em que se pede votos para a Arena, partido de sustentação do regime (atual Dem e que apóia o candidato José Serra). O Povo e Dilma defendiam regimes autoritários, caro Fábio – e agora, você vai condenar a empresa em que trabalha e seus patrões pelo passado “autoritário”?
Há ainda, caro Fábio, uma separação entre guerrilha, terrorismo e terror, termos que o senhor e o resto da imprensa confundem ou usam de forma inapropriada. Ao mencionar guerrilha, referimo-nos à forma de luta armada revolucionária cujo objetivo é a conquista do poder, destruindo as instituições existentes e emancipando socialmente as populações – como desejavam os grupos armados brasileiros dos anos 1960 e 1970 –, e não a uma simples tática militar. Conforme Noberto Bobbio, essa nova acepção de guerrilha vincula-se diretamente à experiência vitoriosa da revolução Cubana de 1959. A expressão não deve ser usada da maneira pela qual faziam a Ditadura Militar, a imprensa e seus aliados, como sinônimo de terrorismo, entendendo-se por este, conforme ainda aquele pensador, a prática política que recorre sistematicamente à violência contras as pessoas ou às coisas provocando o terror, isso de forma indiscriminada, ou seja, atingindo não somente o inimigo de classe, mas quaisquer pessoas próximas. O terrorismo, assim, não pode ser considerado uma forma de luta de classe, embora os grupos guerrilheiros eventualmente também recorram a ações terroristas contra pessoas ou grupos diretamente ligados à classe que se mantém no poder – não com freqüência, pois poderiam provocar vítimas inocentes e uma reação contrária da população, daí sua condenação por líderes como Lênin e Ernesto Che Guevara. Por fim, ainda seguindo o pensamento de Bobbio, compete distinguir terrorismo de terror, compreendido no sentido do instrumento de força e violência usado por parte de quem já detém o poder dentro do Estado para combater seus questionadores – é novamente o caso da Ditadura Militar brasileira, que sistematicamente recorria ao terror para reprimir as oposições de esquerdas, fossem armadas ou não. BOBBIO, Noberto. Dicionário de Política. Brasília: Editora Universidade de Brasília: São Paulo: Imprensa Oficial de São Paulo, 2000. p. 152, 577, 578, 1242 e 1243.
O fato de a esquerda desejar o socialismo e ter pegue em armas não diminui seu papel na resistência à Ditadura e sua contribuição para a democratização do Brasil – durante a II Guerra Mundial, por exemplo, vários comunistas, a exemplo dos italianos, que defendiam o sistema soviético, foram fundamentais na luta armadas contra o regime fascista de Mussolini. A questão de o projeto político das esquerdas ter fracassado ou não ter condições de materializar-se de forma nenhuma inviabiliza ou desmerece quem ousou lutar contra o que estava acontecendo no País.
E mais, caro Fábio, esse jogo dos serristas e Ciristas de lembrarem do passado “terrorista” de Dilma pode ser um tiro no pé. Explico. Um dos poucos atos de fato terrorista, atingindo civis inocentes, praticados pela esquerda brasileira foi realizada pela Ação Popular, grupo no qual militava José Serra!! Foi o desastroso atentado à bomba contra o então candidato a presidência Costa e Silva, no aeroporto Guararapes de Recife, a 25 de julho de 1966, no qual morreram duas pessoas e saíram feridas outras 14. Não vejo a imprensa em nenhum momento responsabilizando Serra ou o chamando de “terrorista” por esse episódio...
Quanto a Ciro Gomes, não há muitas polêmicas. Ciro pertence a uma oligarquia que governa Sobral há décadas. Ciro apoiava a Ditadura e tem uma vida caracterizada pelo oportunismo e incoerência. Foi cesista, depois apoiou Virgilio, depois Tasso, depois foi tucano, depois freirista, depois lulista e agora socialista!!! Que político! É cômico ver como Ciro é tratado no Ceará – poucos têm coragem de apontar o absurdo que é a trajetória política desse sujeito!
É muito fácil ficar falando sozinho numa coluna de um jornal, caro Fábio. Democracia pressupõe debate. Abra o debate e vamos discutir democraticamente.
Airton de Farias
Fortaleza- Ce
Professor e Historiador (Mestre em História Social pela Universidade Federal do Ceará), autor de HISTÓRIA DO CEARÁ, DA PRÉ-HISTÓRIA AO GOVERNO CID GOMES e ALEM DAS ARMAS, GUERRILHEIROS DE ESQUERDA NO CEARÁ DURANTE A DITADURA MILITAR (1968-72)
domingo, 11 de abril de 2010
Prof. Ms. Helder analisa a direita brasileira e sua retórica...
Prof. Ms. Helder Nogueira Andrade.
Núcleo de Estudos Políticos do GCLIO.
O período eleitoral se aproxima e os movimentos, partidos e projetos políticos se delineiam para construir sua legitimidade social e densidade eleitoral. Precisamos examinar as condições de possibilidade dos discursos da arcaica direita brasileira que se apresenta como “moderna e experiente” para governar o país.
Examine o noticiário político e perceba que o tom discursivo da direita será mais uma vez vazio e buscará a todo custo camuflar seu projeto conservador e antidemocrático para o país, expressões como “Somos experientes”, “Somos competentes”, “Sabemos o que o Brasil precisa”, “Vamos promover a unidade nacional”, vão ser repetidas milhares de vezes por homens com largos currículos e experiência internacional que engravatados tentaram nos convencer que eles são os mais inteligentes e sabem “de nossas necessidades”...
A direita brasileira propõe um projeto de unidade nacional, devemos compreender que essa unidade gira em torno de suas pilastras seculares, o latifúndio (repaginado com o nome de agronegócio), a concentração de renda (definida como desenvolvimento econômico), a criminalização dos movimentos sociais (definida como defesa do direito), além da concentração da mídia (definida como defesa da liberdade de expressão) que produz verdadeiros oligopólios entrincheirados em torno do falido projeto neoliberal.
Precisamos nos atentar para o embate eleitoral que se avizinha, pois o projeto direitista lança seus tentáculos na “mídia gorda” propriedade de exímios representantes desta mesma direita comprometida em perpetuar um modelo que constrói presídios e diz que esta construção gera empregos, mantém o latifúndio e diz que alavanca as exportações do país, criminaliza os mais pobres e diz que está garantindo a segurança de todos, controla a informação com suas grandes empresas e diz que defende a democracia e o acesso a informação.
ABAIXO AS CONSTRUÇÕES DISCURSIVAS VAZIAS DE UMA DIREITA DESPREPARADA PARA REALIZAR O AVANÇO DEMOCRÁTICO DE NOSSO PAÍS...
domingo, 21 de março de 2010
Algumas reflexões sobre a Democracia brasileira...
Núcleo de Estudos Políticos do GCLIO.
Caros companheiros e companheiras,
Precisamos aprofundar nossas reflexões e estudos sobre a DEMOCRACIA BRASILEIRA, pois vivemos um momento singular na história do nosso povo com mais de duas décadas de democracia republicana articulada a Constituição cidadã de 1988, temos a oportunidade ímpar de ampliar e aprofundar nossos fundamentos democráticos, mas precisamos avançar no amadurecimento da formação política de nosso povo para garantir na complexidade de nossa sociedade civil a efetivação da cidadania potencilizada em cada individuo e nos coletivos que avançam na consciência de seus direitos políticos, civis e sociais.
TEMOS A OBRIGAÇÃO DE COMBATER TODA FORMA DE AUTORITARISMO APROFUNDANDO NOSSAS CONQUISTAS DEMOCRÁTICAS...
PRECISAMOS ENFRENTAR AS CONTRADIÇÕES DE NOSSA DEMOCRACIA E REALIZAR A SOCIABILIDADE DE NOSSO POVO...
LEIA COM ATENÇÃO:
País tem 16 milhões de eleitores 'duas caras'
A mais recente pesquisa do Ibope sobre a sucessão presidencial revela que cerca de 12,5% dos eleitores se apresentam com "duas caras" ao manifestar a intenção de voto. Eles são os que querem eleger a pessoa apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas citam José Serra como seu candidato favorito. Ou os que preferem alguém da oposição, mas se dizem inclinados a votar na petista Dilma Rousseff. Essas declarações de voto paradoxais e incoerentes, de quase 16 milhões de eleitores, revelam um alto nível de desinformação e de desinteresse na eleição, segundo a diretora executiva do Ibope, Márcia Cavallari.
No momento em que as pesquisas mostram pela primeira vez uma mulher com chances de chegar à Presidência da República, o eleitorado feminino ainda pende majoritariamente para o adversário do sexo oposto. Segundo o Ibope, a petista Dilma Rousseff tem 36% das preferências entre os homens e apenas 25% entre as mulheres. O tucano José Serra tem, respectivamente, 34% e 37%.
A diretora do Ibope destaca o fato de que, nessa etapa da pré-campanha, a sete meses das eleições, há mais mulheres indecisas que homens. "Normalmente as mulheres demoram mais a se interessar pelos candidatos", observou.
O levantamento do instituto, divulgado na última quarta-feira, mostra que a maioria absoluta dos eleitores (53%) quer votar no candidato apoiado por Lula. Mas apenas metade desse contingente aponta Dilma como sua candidata preferida, e um quarto - ou 12% do eleitorado total - cita Serra, ignorando o fato de que ele será o principal nome da oposição na disputa. No outro extremo, os eleitores que querem um candidato de oposição abrangem 10% do total.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
domingo, 14 de março de 2010
Prof. Helder do GCLIO torna-se Mestre em Ética e Filosofia Política...
Prof. Ms. Helder Nogueira Andrade.
A dissertação ora apresentada procura compreender o processo de realização da vida ética de um povo à luz da filosofia da história de Hegel, entendida como a filosofia da liberdade na efetivação de uma unidade viva que explicita o próprio sentido da história. Para Hegel o processo histórico realiza a liberdade na objetivação do espírito de um povo, enquanto unidade realizadora do sentido racional no desdobramento progressivo da consciência da liberdade na totalidade ética de um povo. Para a consecução dessa dissertação foram selecionados alguns escritos da juventude do filósofo alemão desde o seminário de Tübingen até o delineamento de seu pensamento filosófico inédito e sistêmico nos anos de Iena, além das lições sobre filosofia da história universal como obra da maturidade que indica questões seminais para o problema proposto no trabalho. A exposição tem como fio condutor a perspectiva de uma filosofia da unidade que articula a multiplicidade expressa no espírito de um povo na garantia de um sentido único para o caminho percorrido pelo espírito na realização histórica da liberdade como totalidade ética efetivada no mundo.
Palavras-chave: História. Povo. Unidade. Liberdade.
quinta-feira, 11 de março de 2010
HISTÓRIA E POLÍTICA: Prof Adeildo Oliveira analisa algumas questões sobre a Guerra do Paraguai.
Janaina Muniz Cavalcanti
José Adeildo Bezerra de Oliveira
O artigo apresenta diferentes visões historiográficas sobre a Guerra do Paraguai, estudos como os de Júlio José Chiavenatto e Francisco Doratiotto, com o objetivo de se construir uma crítica à idéia do desenvolvimento autônomo paraguaio. Procuraremos também entender uma situação diferenciada da sociedade guarani em relação aos seus vizinhos em uma perspectiva que tentará abranger a conjuntura internacional ligada às relações paraguaias com a Inglaterra inserida esta no Concerto Europeu, em meados do século XIX. Dessa maneira pretendemos refletir acerca da historicidade das produções historiográficas que permeiam nossa prática acadêmica.
ARTIGO NA ÍNTEGRA: www.amerindia.ufc.br
Prof Italo Hide do GCLIO analisa a política contemporânea... (Parte II)
QUANDO A BELEZA ATENTA CONTRA A DIGNIDADE HUMANA.
Veja o que disse o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) no STF,
Sobre a miscigenação: "Nós temos uma história tão bonita de miscigenação... [Fala-se que] as negras foram estupradas no Brasil. [Fala-se que] a miscigenação deu-se no Brasil pelo estupro. [Fala-se que] foi algo forçado. Gilberto Freyre, que é hoje renegado, mostra que isso se deu de forma muito mais consensual."
Prof. Ítalo Hide.
Núcleo de Assuntos Estratégicos do GCLIO.
terça-feira, 9 de março de 2010
Prof Italo Hide do GCLIO analisa a política contemporânea...
A hermenêutica de um senador que não reconhece as lutas sociais.
É sabido que o Brasil é uma país de pluralidades. Nesse contexto muitas são as lutas que se travam no cotidiano para que os mais diversos grupos preservem sua identidade. Os negros sem dúvida estão entre os que mais buscam defender o seu DNA social, cultural e étnico. Entretanto, segmentos da sociedade ainda se negam a reconhecer esses grupos e o depoimento do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) ecoa a voz dos segregadores. Veja as estapafúrdias ditas pelo dito parlamentar no plenário do STF quando se tratava o tema sobre cotas para afrodescendentes nas universidades: “Todos nós sabemos que a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para o mundo islâmico, para a Europa e para a América. Lamentavelmente. Não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos. Mas chegaram. (…) Até o princípio do século 20, o escravo era o principal item de exportação da pauta econômica africana.” Fica evidente na fala do senador que de fato o africano era uma mercadoria natural o que é lamentável, pois, o parlamentar perdeu a oportunidade de discutir o passado escravista para que esse mal ainda existente no Brasil, embora seja tido como crime, seja banido em todos os aspectos, inclusive no discurso. Ainda interpretando, tratou o fato histórico como argumento para justificar a ocorrência da escravidão. Pior, o senador defende que a África tinha bônus pois era um item importante de exportação. Anacronismo malvado.
Prof. Ítalo Hide
Núcleo de Assuntos Estratégicos do GCLIO.