GCLIO

O Grupo Clio é uma associação de educadores dedicados ao ensino, pesquisa e cultura, sua fundação oficial se deu no ano de 2008, a partir dos anseios de um grupo de historiadores que buscavam construir um verdadeiro fórum de debate sobre inúmeras questões pertinentes a educação e a democracia em nosso país. Atualmente o GCLIO reúne educadores das mais diversas áreas e espaços de atuação com o propósito de ampliar os horizontes do nosso povo, construindo a unidade possível em torno da democracia e do republicanismo, e o consenso necessário da educação nas suas mais variadas vertentes. Defendemos a universalização do ensino público com a qualidade necessária para habilitar nossas crianças e jovens na vanguarda civilizacional através de dois pilares básicos a inclusão social e a participação política.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

GCLIO: "FELIZ NATAL E UM GRANDE ANO PARA O NOSSO POVO!"

Desejamos a todos que acompanham a nossa caminhada como coletivo que avança na consciência do nosso povo e auxilia a construção necessária dos pilares que encaminham a liberdade, inclusão e igualdade.

FELIZ NATAL E ÓTIMO ANO NOVO!!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

III Colóquio Abrindo Trilhas para os Saberes (SEDUC).


"Professores em formação: a escola como lugar de pesquisa."


Entre os dias 08 e 10 de dezembro de 2010, a Secretaria da Educação do Ceará (SEDUC) realiza o III Colóquio Abrindo Trilhas para os Saberes no Hotel Marina Park. A iniciativa visa a continuidade do projeto Professor aprenDIZ da referida secretaria.

O grande destaque da programação do evento é a apresentação de vinte e quatro trabalhos de pesquisadores e docentes da rede estadual de ensino do estado do Ceará, tais apresentações priorizam a troca de experiências e pesquisas entre os docentes das escolas estaduais de vários municipios cearenses.

O Prof. Ms. Helder Nogueira Andrade (GCLIO-SEDUC) apresenta trabalho intitulado Escola, democracia e adolescência: Mediações públicas e experiência política no ambiente escolar, na sexta-feira (10/12/2010). O referido trabalho desenvolve uma reflexão sobre a importância da experiência democrática no ambiente escolar tomando como horizonte fundamental os conceitos de gestão democrática e protagonismo juvenil.


RESUMO DO TRABALHO:


O presente artigo propõe uma discussão sobre a gestão democrática das escolas de Ensino Médio cearenses, tomando como foco central o corpo discente de adolescentes e as organizações gremistas, para desenvolver uma reflexão sobre as condições de possibilidade das mediações públicas democráticas como processo de fortalecimento da experiência política no interior da comunidade escolar. Destacamos que tal processo potencializa a formação integral do aluno com enfase no exercício da cidadania ativa, portanto participativa que favorece os liames sociais e encaminha o debate, além de ações e deliberações sobre os problemas cotidianos da comunidade escolar e em utlima instância da sociedade. Assim o trabalho evidencia que a democracia brasileira possui as bases formais para o avanço de uma cultura política democrática em nossa sociedade, posteriormente destaca a importância estratégica da educação escolar para fazer avançar o processo de fortalecimento de tal cultura em nosso país. Posteriormante propomos algumas reflexões sobre a importância da participação democrática e no caso específico das escolas o papel das organizações gremistas para a construção de mecanismos de participação e autonomia dos adolescentes. Por fim identificamos o novo valor da dimensão ética e cultural da educação para a consolidação de uma cultura política democrática entre os adolescentes de nosso país.


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

GCLIO E ENEM: I CICLO DE AULÕES E DEBATES SOBRE O ENEM PROMOVIDO PELO GRUPO CLIO NO CEARÁ.

Entre os meses de junho e novembro de 2010, o Grupo Clio realizou o seu "I Ciclo de aulões, palestras e debates sobre o ENEM" no Ceará. No período realizamos atividades em mais de trinta escolas públicas e privadas de ensino médio do Ceará, além de universidades, sindicatos e associações.

Cidades como Maracanaú, Caucaia e São João do Jaguaribe, escolas de vários bairros de Fortaleza como os Liceus de Messejana e Vila Velha, Colégio Jenny Gomes e Ateneu foram contempladas com ações do projeto, sem contar com dois aulões, o primeiro no Anfiteatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura para quase 1000 jovens, e o segundo no Centro de Humanidades da UFC para mais de 1800 jovens.

Todo esse projeto foi idealizado e organizado pelos professores do
GCLIO em parceria com instituições públicas e privadas com o objetivo de informar, difundir e fortalecer ações que possam fazer do ENEM um novo momento da educação brasileira com a democratização do acesso as universidades, a inclusão das maiorias oriundas das escolas públicas no mundo da informação, ciência, autonomia e política. Nessa perspectiva o GCLIO reafirma seus compromissos com as juventudes, a educação e a democracia em nosso país.

Prof. Ms. Helder Nogueira Andrade.
Diretor do GCLIO.

domingo, 10 de outubro de 2010

GCLIO E ENEM: I CICLO DE AULÕES E DEBATES SOBRE O ENEM PROMOVIDO PELO GRUPO CLIO NO CEARÁ.

AULÃO DO GCLIO NO LICEU DE MESSEJANA EM FORTALEZA.FUTUROS UNIVERSITÁRIOS ESTUDANDO!!

DA ESCOLA PÚBLICA PARA AS UNIVERSIDADES!!
Aula do Professor Getúlio (Física-GCLIO).
GCLIO E ENEM: ESCOLA, JUVENTUDE E ACESSO A UNIVERSIDADE.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

GCLIO E ENEM: I CICLO DE AULÕES E DEBATES SOBRE O ENEM PROMOVIDO PELO GRUPO CLIO NO CEARÁ.


SATISFAÇÃO DOS JOVENS COM O MOMENTO DE ESTUDO E CONFRATERNIZAÇÃO!


DA ESCOLA PÚBLICA PARA A UNIVERSIDADE!!


FUTUROS UNINERSITÁRIOS ESTUDANDO!!


PROFESSOR MÁRCIO LÔBO (GCLIO-HISTÓRIA).


PROFESSORES DO GCLIO E DO LICEU VILA VELHA.


MUITO ESTUDO E MOTIVAÇÃO!!


MUITA CONCENTRAÇÃO DOS FUTUROS UNIVERSITÁRIOS!!


PROFESSORES MÁRCIO LÔBO (HISTÓRIA-GCLIO) E RAFAEL ROCHA (GEOGRAFIA-GCLIO).


PROFESSOR ÍTALO HIDE (HISTÓRIA-GCLIO).


RUMO A UNIVERSIDADE!!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Prof. Ms. Helder Nogueira (GCLIO) participa do Encontro de Formação Protagonismo Juvenil (SEFOR).

Sefor promove segundo encontro de Formação Protagonismo Juvenil
Sex, 24 de Setembro de 2010
A Superintendência das Escolas Estaduais de Fortaleza (Sefor), da Secretaria da Educação (Seduc), dá continuidade ao Encontro de Formação Protagonismo Juvenil – Grêmios Escolares, no sábado, 25. Esta é a segunda reunião, que acontecerá das 8 às 12 horas, em quatro unidades de ensino, em Fortaleza.

Na Escola Estadual de Educação Profissional (EEEP) Joaquim Nogueira, o encontro reunirá jovens das 1ª e 3ª regiões, com o professor Helder Nogueira Andrade. O tema será “Comunidade: espaço público e privado”. Os estudantes das escolas das 2ª e 6ª regiões, se reunirão na Escola de Ensino Fundamental e Médio (EEFM) Integrada 2 de Maio, para discutir o tema “Estudo sócio-histórico do termo adolescência/jovem”, com o professor Kleiton. Na EEEP Paulo VI, serão escolas da 4ª região, com a professora Roselia, e o tema é “A identidade do adolescente”. Já no Liceu do Conjunto Ceará, com o professor Idelson, serão os alunos da 5ª região, discutindo o tema “Violência escolar”.

A formação tem o objetivo de promover aos líderes escolares, gremistas e líderes de sala, por meio do estudo de temas transversais, a compreensão do conceito de liderança.

Veja o cronograma das atividades no blog: http://gremiosdasescolasestaduaisfortaleza.blogspot.com/

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

AMIGOS DE PAPEL: UM COMUNISTA. POR JOEL RUFINO.

23/08/2010

Eu assistia a um jogo da Copa do Mundo quando soube por telefone da morte de José Saramago.

O grande escritor dizia que “comunista é um estado de espírito”. Questionado por um entrevistador, disse também: “Sou aquilo que se pode chamar de comunista hormonal. O que isso quer dizer? Assim como tenho no corpo um hormônio que me faz crescer a barba, há outro que me obriga a ser comunista”.

Em poucas palavras se livrava das idealizações, erros e equívocos dos sistemas e partidos comunistas, preservando o que a definição tem de ética. Comunista é algo em que se está, talvez de nascença, uma feminilidade de espírito anterior à formação de ideias e opiniões sobre o mundo. Um policial experiente, nos anos 60, me revelou que reconhecia comunistas pela maneira insegura, ou frágil, de se dirigirem a empregados, garçons e choferes. Se visse uma mulher trocando pneu, também não tinha dúvida e, nesse caso, sua intuição de sherloque funcionava ao contrário: um corpo feminino fazendo trabalho de macho indica personalidade comunista.

Ser de esquerda é uma coisa, comunista outra.

Em ideas y creencias, Ortega y Gasset lembra que ao sair de casa, a cada manhã, não
precisamos fazer ideia da rua: cremos, de uma maneira insofismável, que ela estará lá, com seu asfalto, seus sinais, lojas, pontos de ônibus etc. A rua não é uma ideia, mas uma crença. Por analogia, esquerda é uma ideia, tanto que podemos estar mais à esquerda, ser de centroesquerda etc. A própria palavra tem uma origem histórica precisa, a assembleia francesa de 1789, em que os deputados que queriam sustar as medidas revolucionárias se sentavam à direita da presidência, os que queriam continuálas à esquerda, os indecisos ao centro.

Madalena, a protagonista de São Bernardo, de Graciliano Ramos, não era de esquerda, mas era comunista. Não que tivesse qualquer ligação com o Partido Comunista do Brasil, fundado há menos de dez anos. Seu comunismo estava em duas ou três atitudes: cumprimentava os lavradores, montou escola para seus filhos, lia romances, escrevia cartas. A insegurança do marido, Paulo Honório, para quem pessoas eram objetos, o convenceu de que a mulher era comunista. Comunista – eis de volta a definição de Saramago – é um estado de espírito caracterizado pela autonomia. Essa autonomia permite a alguém se dizer comunista mesmo depois de naufragarem os seus dispositivos
históricos.

Poderia um comunista não ter espírito autônomo? Certamente. Hobsbawm garante que
nos anos 70, às vésperas da Glasnost, dificilmente se encontraria um comunista na União Soviética. A designação cobria então burocratas, aproveitadores do Estado autoritário, intelectuais acríticos, multidões despolitizadas.

Comunista, na acepção de Saramago, se aproxima melhor de marxista. O essencial do
marxismo sobrevive no comunista: a análise, até hoje insuperável, da mercadoria e a filosofia da práxis, isto é, a ideia de que o homem faz-se a si mesmo. No entanto, alguém pode estar comunista sem ser marxista, já que o marxismo é uma teoria que, como qualquer outra, exige estudo e abstração.

Os comunistas lutam incansavelmente por um homem novo contra todos os sistemas sociais, inclusive os socialistas. São, por isso, otimistas e pessimistas ao mesmo tempo. Como o escritor que morreu.

Joel Rufino é historiador e escritor. http://carosamigos.terra.com.br/

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

"Por uma globalização mais humana", texto do geógrafo Milton Santos.

Por uma globalização mais humana:

A globalização é o estágio supremo da internacionalização. O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria, nos fins do século 19, e, agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições. O mundo inteiro torna-se envolvido em todo tipo de troca: técnica, comercial, financeira, cultural.

Vivemos um novo período na história da humanidade. A base dessa verdadeira revolução é o progresso técnico, obtido em razão do desenvolvimento científico e baseado na importância obtida pela tecnologia, a chamada ciência da produção.

Todo o planeta é praticamente coberto por um único sistema técnico, tornado indispensável à produção e ao intercâmbio e fundamento do consumo, em suas novas formas.

Graças às novas técnicas, a informação pode se difundir instantaneamente por todo o planeta, e o conhecimento do que se passa em um lugar é possível em todos os pontos da Terra.

A produção globalizada e a informação globalizada permitem a emergência de um lucro em escala mundial, buscado pelas firmas globais que constituem o verdadeiro motor da atividade econômica.

Tudo isso é movido por uma concorrência superlativa entre os principais agentes econômicos -- a competitividade.

Num mundo assim transformado, todos os lugares tendem a tornar-se globais, e o que acontece em qualquer ponto do ecúmeno (parte habitada da Terra) tem relação com o acontece em todos os demais.

Daí a ilusão de vivermos num mundo sem fronteiras, uma aldeia global. Na realidade, as relações chamadas globais são reservadas a um pequeno número de agentes, os grandes bancos e empresas transnacionais, alguns Estados, as grandes organizações internacionais.

Infelizmente, o estágio atual da globalização está produzindo ainda mais desigualdades. E, ao contrário do que se esperava, crescem o desemprego, a pobreza, a fome, a insegurança do cotidiano, num mundo que se fragmenta e onde se ampliam as fraturas sociais.

A droga, com sua enorme difusão, constitui um dos grandes flagelos desta época.

O mundo parece, agora, girar sem destino. É a chamada globalização perversa. Ela está sendo tanto mais perversa porque as enormes possibilidades oferecidas pelas conquistas científicas e técnicas não estão sendo adequadamente usadas.

Não cabe, todavia, perder a esperança, porque os progressos técnicos obtidos neste fim de século 20, se usados de uma outra maneira, bastariam para produzir muito mais alimentos do que a população atual necessita e, aplicados à medicina, reduziriam drasticamente as doenças e a mortalidade.

Um mundo solidário produzirá muitos empregos, ampliando um intercâmbio pacífico entre os povos e eliminando a belicosidade do processo competitivo, que todos os dias reduz a mão-de-obra. É possível pensar na realização de um mundo de bem-estar, onde os homens serão mais felizes, um outro tipo de globalização.

domingo, 29 de agosto de 2010

Grupo CLIO - Aula sobre GLOBALIZAÇÂO - Parte 1

A poesia de Paulo Freire!!

A Escola

Paulo Reglus Neves Freire, 1921 - 1997.

Escola é ...
o lugar onde se faz amigos,
não se trata só de prédios, salas, quadros,
programas, horários, conceitos...
Escola é, sobretudo, gente,
gente trabalha, que estuda,
que se alegra, se conhece, se estima.
O diretor é gente,
o coordenador é gente, o professor é gente,
o aluno é gente,
cada funcionário é gente.
E a escola será cada vez melhor
na medida em que cada um
se comporte como colega, amigo, irmão.
Nada de "ilha cercada de gente por todos os lados".
Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir
que não tem amizade a ninguém,
nada de ser como tijolo que forma a parede,
indiferente, frio, só.
Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,
é também criar laços de amizade,
é criar ambiente de camaradagem,
é conviver, é se "amarrar nela"!
Ora, é lógico...
Numa escola assim vai ser fácil
Estudar, trabalhar, crescer,
Fazer amigos, educar-se,
ser feliz.

Grupo CLIO - Aula sobre GLOBALIZAÇÂO - Parte 2

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Artigo do Prof. Ítalo Hide sobre Segurança Pública.

SEGURANÇA PÚBLICA: QUANDO A POLICIA É O PROBLEMA

Os últimos fatos que envolvem a policia militar no Brasil colocam em xeque a segurança pública nacional. Em Fortaleza, o assassinato do jovem Bruce morto por um policial que faz parte do programa de policia cidadã Ronda do Quarteirão, nos deixa em estado de pânico e nos permite entender que o medo da violência é muito mais legitimo do que a certeza da proteção do Estado. No Rio de Janeiro, o atropelamento que provocou a morte do jovem Rafael Mascarenhas fez emergir novamente um problema grave que assola não só a policia, mas todo o país que é a corrupção. A ocorrência desses dois fatídicos fatos demonstra a repetição de um problema crônico que se encrava no seio da nossa sociedade e que nos leva a tragicamente concluir que segurança pública no Brasil não inspira confiança.

SEGURANÇA PÚBLICA: QUANDO A MIDIA É O PROBLEMA

O goleiro Bruno tem sido o principal protagonista do desaparecimento da jovem Eliza Samútio. Caso as acusações se confirmem, ficará revelada uma face perversa e assassina de um ídolo do futebol brasileiro. Entretanto, caso seja condenado, não é só o goleiro do Flamengo que tem afrontado a Lei, a mídia tem repetidamente desrespeitado o art. 20 do Código processo penal. O dispositivo da Lei penal diz o seguinte: Art. 20 - A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. O sensacionalismo midiático em torno do caso objetiva muito mais computar o máximo de pontos em audiência do que contribuir para a elucidação dos fatos. Assim sendo, mais uma vez a Lei é afrontada no nosso país. Na mesma linha estão os programas policiais que abordam ações criminosas e de prontidão já vão apresentando e condenando os envolvidos sem que estes possam ao menos se defender daquilo que considero a pior das sentenças que é a opinião pública. Detalhe, nesse julgamento que ocorre na plenária midiática, presidida por um apresentador com perfil de dramalhão e que atua também como promotor está a opinião pública formada por um contingente de pessoas amedrontadas pela violência e envolvida pelos os discursos daqueles que pregam justiça a qualquer preço. São essas pessoas que atuam como corpo de jurados e representam aqueles pontinhos valiosos de audiência. Ao réu midiático não é permitido nem um advogado de defesa e, desse modo, desrespeitado estão os princípios constitucionais da presunção de inocência, da ampla defesa e do contraditório. O pior é que boa parte desses apresentadores atuam como legisladores.

SEGURANÇA PÚBLICA: QUANDO A POPULAÇÃO É UM PROBLEMA

Um dos temas que vão marcar as eleições de 2010 é a segurança pública. Boa parte da população sofre com o avanço da criminalidade e pela falta de cumprimento da Lei. Entretanto, pesquisas comprovam que uma das principais insatisfações com o atual governo cearense são as atuações da CPRV. Esta tem realizados várias apreensões de motos e carros que estão em situação de irregularidade. A justificativa do poder público para a realização dessas ações policiais são os muitos acidentes automobilísticos, as ações de criminosos que atuam principalmente em motos e grande número de motos e carros roubados no estado do Ceará. A população que tanto anseia pelo cumprimento das Leis nacionais condena a CPRV por ela está fazendo valer a Lei. Interessante é o argumento que os transportes apreendidos servem como instrumento que ajuda na sobrevivência do pobre agricultor, entretanto, esconde que esses mesmos transportes servem também de instrumento para as farras alcoólicas de habilitados e inabilitados para pilotar, além de menores de idade que colocam em risco a vida de vários cidadãos.

domingo, 4 de julho de 2010

ENEM E SOLIDARIEDADE: GCLIO realiza um grande evento no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.


CENTENAS DE ESTUDANTES DE TODO O ESTADO DO CEARÁ ESTAVAM REUNIDOS NO DRAGÃO DO MAR PARA O EVENTO.

GRANDES PROFESSORES, GRANDE EVENTO, MUITA SOLIDARIEDADE!!

PROF. ÍTALO HIDE - NÚCLEO DE ASSUNTOS ESTRATÉGICOS DO GCLIO
COMEMORA O SUCESSO DO EVENTO.

CONFRATERNIZAÇÃO DOS PROFESSORES ÍTALO HIDE E ANDRÉ FONSECA.

PROFESSORES EM AÇÃO:
MORANO, ÍTALO TRIGUEIRO E VICENTE JR.

CONFRATERNIZAÇÃO DOS PROFESSORES!!


AULA DO PROF. PINHEIRO. (UFC)
VICE-GOVERNADOR DO ESTADO DO CEARÁ.


AULA DO PROF. ARTUR BRUNO

ABERTURA DO EVENTO.
PROF. Ms. HELDER NOGUEIRA ANDRADE.
NÚCLEO DE ESTUDOS POLÍTICOS DO GCLIO.

PROFESSORES E ESTUDANTES EM FESTA!!



O GCLIO REUNIU GRANDES PROFESSORES DE FORTALEZA PARA UM
AULÃO DA SOLIDARIEDADE!!


Prof. Ms. Helder Nogueira Andrade analisa algumas questões sobre o fascismo europeu.

A purificação da guerra: Walter Benjamin e um olhar sobre o fascismo alemão.


Prof. Ms. Helder Nogueira Andrade.

Núcleo de Estudos Políticos do GCLIO.


As reflexões propostas por Walter Benjamin no ensaio Teorias do Fascismo Alemão – Sobre a coletânea Guerra e Guerreiros, editada por Ernst Jünger, em 1930, indica uma crescente aceitação que a apologia da guerra ("misticismo bélico", dirá um sarcástico Benjamin) suscitava junto a sociedade germânica, demonstrando a lucidez deste pensador que identificou neste ensaio questões extremamente pertinentes relacionadas a escalada do ideário fascista (nacionalismo, militarismo, autoritarismo etc.) na Europa.

O tipo de idealismo que animava a coletânea Guerra e Guerreiros, publicação organizada por Ernst Jünger (identificado como herói de guerra), representava um sintoma importante da difusão do ideal de algo como uma “guerra pura”, vinculada a virtudes universais, portanto incontestáveis, como o heroísmo, a valentia e o nacionalismo.

Vale salientar o uso da linguagem como um elemento fundamental na gênese/difusão desses ideais e virtudes que produzem significações no corpo social indicando determinadas atitudes como necessárias para a redenção do povo, como Benjamin escreve:

Mas a linguagem é uma pedra de toque para a conduta de cada um de nós, e não somente, como muitas vezes se supõe, para a conduta de quem escreve. A conduta dos que se juntaram nesse livro não passa esta prova. Imitando os diletantes aristocráticos do século XVII, Jünger pode dizer que a linguagem alemã é uma linguagem primordial – a maneira como essa idéia é expressa contém um acréscimo implícito, o de que, como tal, ela comporta uma invencível desconfiança com relação à civilização e ao mundo moral. Mas como pode essa desconfiança comparar-se com a dos seus compatriotas, quando a guerra lhes é apresentada como uma “poderosa revisora”, que “sente o pulso do tempo”, quando eles são proibidos de “rejeitar uma conclusão comprovada”, ou obrigados a aguçar seu olhar para que possam ver “as ruínas” atrás do “verniz incandescente”? No entanto o que é mais vexatório que todos esses insultos a inteligência, nesse edifício intelectual supostamente ciclópico, é a fácil loquacidade da forma, “ornando” cada um dos artigos, e mais penosa ainda, a mediocridade do conteúdo.[1]

Assim a linguagem é identificada como uma “linguagem primordial” indicando uma verdadeira idealização do conteúdo, ainda que medíocre, sendo direcionado para determinados objetivos, como a ornamentação da guerra enquanto algo que “pulsa no tempo”, com um “poder de revisão” do passado.

Benjamin nos exorta que os autores da coletânea, articulam o seu discurso apologético da guerra, sob uma suposta chancela da experiência de outras guerras que os mesmos haviam participado fundamentando pelo uso da linguagem algo como a verdade da guerra. Nessa suposta verdade que aparece como algo projetado na linguagem enquanto “pedra de toque” para a construção de todo um imaginário e de determinadas condutas individuais e coletivas da sociedade alemã no período, proporcionando um verdadeiro esforço de guerra permanente, necessário e imanente a própria existência social.

Essa tendência não levaria apenas a mais uma "guerra de alcance planetário" (expressão entusiástica dos guerreiros-autores do livro): ela possibilitaria também um apoio irrestrito da maioria da população – por ação ou omissão – a escalada de um regime totalitário na Alemanha.

A mitificação da guerra através do uso da linguagem torna-se objeto de problematização à luz do pensamento benjaminiano, principalmente no contexto do aparente paradoxo entre a razão esclarecida e a mitificação de uma determinada realidade ou questão específica dessa realidade no mundo contemporâneo.

As questões destacadas devem ser compreendidas de forma integrada e voltadas para o horizonte de reflexões sobre os rumos da história européia no período diante da escalada de regimes totalitários que pela exacerbação da técnica, mitificação da guerra e manipulação da linguagem promoviam o avanço “racional” da barbárie expresso na violência sofisticada associada ao racionalismo do Estado burguês.

Pois, nessa teoria mística da guerra, o Estado desempenha naturalmente um papel importante. A palavra “controle” não é concebida, é claro, num sentido pacifista. Ao contrário, exigi-se do Estado que desde já ele se adapte, em sua própria estrutura e em seu comportamento, e delas se mostre digno, àquelas forças mágicas que ele precisa mobilizar durante a guerra. De outro modo, ele não conseguiria colocar a guerra a serviço dos seus fins.[2]

Com isso o Estado aparece como uma espécie de catalisador das “forças mágicas” que precisam ser mobilizadas para um esforço de guerra que se articula ao desenvolvimento avassalador da técnica, ao uso da linguagem enquanto forma loquaz que mitifica a guerra mobilizando as pessoas para um projeto sobre-humano pautado por determinados “ideais eternos”.

O ensaio Teorias do Fascismo Alemão – Sobre a coletânea Guerra e Guerreiros, chama atenção pela atualidade de muitos elementos que foram objeto de reflexão e pela profunda lucidez de Benjamin ao perceber o avanço do fascismo na Alemanha como algo vinculado ao fluxo ideológico do seu tempo, ou seja, o fascismo não nasceu da mente de alguns loucos e sádicos pontuais, mas da própria ordem sócio-cultural da época.



[1] BENJAMIN, Walter. Teorias do fascimo alemão. Sobre a coletânea Guerra e Guerreiros, editada por Ernst Jünger. In: Obras escolhidas. Magia e Técnica, Arte e Política. São Paulo: Brasiliense, 1985a. p. 67-68.

[2] Idem. P. 71.

GCLIO: Palestra dos Profs. Italo Hide e Adeildo Oliveira sobre a conjuntura política nacional.






O GCLIO está realizando uma série de atividades, como debates e palestras, para difundir algumas reflexões sobre a conjuntura política nacional e favorecer a participação dos jovens na cidadania ativa pelo debate qualificado na sociedade civil.








domingo, 2 de maio de 2010

Uma reflexão política e histórica do Prof Adeildo Oliveira.

21 DE ABRIL: DE TIRADENTES A BRASÍLIA

Em momentos de grandes transformações de ordem social e (ou) política os símbolos passam a exercer um papel de relevo na legitimação ou contestação da ordem estabelecida. Alguns destes símbolos surgem de forma espontânea, outros são construídos. Neste sentido, o 21 de abril exemplifica muito bem o que é a construção de um símbolo. Com a realização do golpe de 15 de novembro de 1889 pelos militares com o apoio da burguesia cafeeira de São Paulo, sedenta de poder, instala-se uma nova forma de governo que seguia velhos padrões de discriminação social e cultural.
Com isso, fica claro que o maior interessado na implantação da Res publica (coisa pública), ou seja: o povo, não participou do processo e isso, segundo José Murilo de Carvalho, não porque tenha “assistido bestializado”, mas porque sabia que a sua situação não iria mudar. Por isso mesmo, foi necessário a construção de um símbolo para legitimar o novo sistema político e esse símbolo foi Tiradentes. O 21 de abril de 1892 foi o dia da morte desse “mártir” da causa republicana no Brasil. Mas a História é extremamente dialética e iria reafirmar, posteriormente, a “mística” dos 21 de abril no Brasil, quando da inauguração de Brasília nesse mesmo dia e mês do ano de 1960.
Analisando algumas matérias da “grande” mídia brasileira, pude perceber que várias reportagens dedicavam-se a homenagear a nossa ilustre capital. Isso me inquietou, pois tais reportagens eram de uma “ingenuidade” política e histórica intrigante, pois mostravam a música dos anos oitenta na cidade; mostrava a cidade como reduto da corrupção e focavam as diversas festividades que estavam acontecendo para a comemoração dos cinquenta anos da capital. Não estou negando que a geração do Rock brasileiro dos anos oitenta tenha se destacado no cenário nacional com letras que criticavam a própria política que reinava e reina na cidade e no país; e nem que tal geração teve em Brasília um de seus núcleos maiores com Legião Urbana e Capital Inicial, por exemplo. Não nego que a capital tupiniquim é símbolo do que há de pior na política brasílica.
O que me inquietou foi a omissão em relação a uma série de aspectos históricos, culturais e sociais. Fatos estes que, claro, não devemos esperar que uma Globo viesse nos esclarecer sobre tais aspectos, mas que, por isso mesmo, faz-se necessário a explanação desses fatos através desta reflexão.
Primeiro falo sobre os “candangos”: milhares de nordestinos que laboraram para a efetivação de uma “obsessão” bem antiga que resultou em Brasília. Não vi nenhuma reportagem parabenizando ou agradecendo a participação SINE QUA NON desses guerreiros na construção da capital. Participação marcada por uma realidade que é bem conhecida pela maior parte dos nossos compatriotas, ou seja, uma realidade marcada pela exploração do trabalho com o pagamento de péssimos salários e com horríveis condições de vida.
O segundo aspecto relevante foi a omissão da longa história de Brasília. Enganam-se aqueles que acreditam que a capital tupiniquim possuí apenas metade de um século. Brasília não é apenas uma cidade, é muito mais do que isso. Brasília é a materialização de idéias, sonhos e interesses políticos e culturais. Enfim, Brasília é um símbolo. E como tal, só poderia ter emergido do plano das ideias em um determinado momento histórico.
Esclareço o porquê de ter me utilizado da palavra “obsessão” para designar Brasília. Para quem é um bom conhecedor da história nacional, saberá que a proposta de uma capital no “coração” do Brasil existe desde os tempos da colonização; foi lembrada por Bonifácio em suas Lembranças e Apontamentos enviada às Cortes portuguesas no contexto da independência; foi prevista nas Constituições de 1891, 1934 e 1946 até chegar à sua maturidade nos anos JK.
Acredito que Brasília foi efetivada por JK por causa do momento político, econômico e cultural do país. Nos processos históricos determinados acontecimentos só se materializam quando chegam à sua maturidade. No caso de Brasília tal maturidade chegou com os anos cinquenta do século XX. Naquele momento o país vivia um contexto histórico ímpar com o forte otimismo propagandeado pelo desenvolvimentismo, com o advento da TV, com a Bossa Nova, com o Cinema Novo. Tal clima colaborou para a construção da nova capital. Mas quem iria realizar o planejamento dessa nova cidade? No concurso realizado pela Novacap (Cia Urbanizadora da Nova Capital) saíram vitoriosos os adeptos dos ideais modernistas Niemeyer e Lúcio Costa.
Assim sendo, percebam que Brasília simboliza também os ideais modernistas que estão presentes no seu corpo material e abstrato de urbe planejada para vender a idéia do crescimento, da modernização e da integração nacional. Aqui vale frisar que, planejamento em sua construção é algo que também diferencia Brasília da maior parte das cidades brasileiras, pois somente ela e algumas poucas cidades como Belo Horizonte e Goiânia tiveram tal privilégio.
Portanto, reafirmo que Brasília é muito mais que uma cidade...